terça-feira, 30 de março de 2010

Lua Cheia.

Bêbada branqueia Como pela areia Nas ruas da feira, Da feira deserta, Na noite já cheia De sombra entreaberta. A lua branqueia Nas ruas da feira Deserta e incerta...
Fernando Pessoa.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A Beleza oculta no fundo do Mar.

Foto:David&Debi Henshaw.
(...) No mar, no mar, no mar, no mar, Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas, A minha vida! Salgar de espuma arremessada pelos ventos Meu paladar das grandes viagens. Fustigar de água chicoteante as carnes da minha aventura, Repassar de frios oceânicos os ossos da minha existência, Flagelar, cortar, engelhar de ventos, de espumas, de sóis, Meu ser ciclônico e atlântico, Meus nervos postos como enxárcias, Lira nas mãos dos ventos! (...) Alvaro de Campos, Ode Marítima.

quinta-feira, 25 de março de 2010

No Hemisfério Norte é PRIMAVERA e eu me lembro de FLORBELA !

Ai almas dos poetas Não as entende ninguém, São almas de violeta Que são poetas também. Andam perdidas na vida, Como estrelas no ar; Sentem o vento gemer Ouvem as rosas chorar! Só quem embala no peito Dores amargas secretas É que em noites de luar Pode entender os poetas. E eu que arrasto amarguras Que nunca arrastou ninguém Tenho alma para sentir A dos poetas também!
Florbela Espanca.

segunda-feira, 22 de março de 2010

São Paulo - Anos 40 e São Paulo de Hoje .

Jornal "O Estado de São Paulo" está realizando uma pesquisa de fotos antigas de São Paulo. Essas fotos servirão para mostrar como era e como é hoje essa cidade que pouco preserva o seu patrimônio arquitetônico. A idéia é pegar a foto antiga e tentar colocá-la dentro da foto nova . As fotos acima são da fótografa Valéria Gonçalvez e as antigas de colições particulares cedidas para esse projeto. Idéia genial!
As fotos são todas da década de 40 do século XX: Av.Rebouças , Viaduto do Chá e Praça Julio de Mesquita.

domingo, 21 de março de 2010

VAN GOGH e AKIRA KUROSAWA.

Março de 2010. Duas datas importantes: 120 anos da morte de Van Gogh e 100 anos do nascimento de Akira Kurosawa . Dois gênios da tela. Um com seus pincéis e outro com sua câmera. Quem não conhece a obra deles não deve perder a oportunidade de se informar. Se preferirem assistam “Dreams” ( Yume) onde esses dois gênios se encontram num filme que é em si mesmo uma obra de arte .
Acima uma cena do filme "Sonhos" e abaixo o quadro de Van Gogh " A Ponte de Langlois" que inspirou Kurosawa.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Num Café.


Há quanto tempo eu estava ali sentada? Quem sabe? Pouco tempo. Tempo, tempo, tempo, tempo. Sempre o tempo. Me perseguindo dentro da minha cabeça. No relógio o tempo convenção. Aonde ele vai quando foge de nós? Sentada naquele café olhava a xícara na metade pousada solitária em cima da mesa. Madeira velha e gasta. Quantas xícaras já aparou? Quantas dores? Quantas solidões? A cidade é antiga, milenar, sei lá como fui parar lá! Andante, mutante, buscante, escondo-me no aconchego daquele Café. Frio e dor. Onde me perdi dessa vez? Só com meus pensamentos. Só com meus desejos. Só com meus botões e zíperes. Espero. A moça do balcão é simpática. Bonita do seu jeito. Não me olha. Não me vê. Passante eu como todos. A música vem de onde? Das caixas no teto. Pé direito alto. Subir nele e pegar a Lua ou Marte ou Vênus. Ver Nus. Cabeça de fome, de falta, de desejo não consumado. De vontades. Ver Nus. Corpos Nus. Um corpo nu. A música é alta. Batida moderna. Música antiga. Som de Brasil naquele Café. Naquele país. O último gole foi tomado. É preciso ir. Pra onde? Um cigarro... Necessário... Urgente. A moeda entra e ele sai da máquina. Marca? Que importa da marca. Importa o fumo. Alívio mentiroso. Prazer momentâneo. Ilusão. De onde essa falta? De onde essa dor? Onde meu pedaço perdido? Minha fêmea-gêmea alma. Onde minha alma? Levanto. A moça do balcão me olha. Talvez também procure. Muitas são as procuras. Visto o casaco. Frio na tarde da rua da cidade antiga. País velho. Porta velha. Dor velha. Solidão velha. Procura velha. Em qual Café vou te achar? Fêmea-gêmea. Alma-alma. Corpo igual. Desejo igual. Amor igual. Espera. Reflexões e lembranças. Fim de tarde. Atravesso a porta e saio pra uma rua. Aonde fica esse qualquer Café? Bertha Solares.

terça-feira, 16 de março de 2010

Palavras de Florbela.

"Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas de um raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser um D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dar de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa”
Florbela Espanca

sábado, 13 de março de 2010

WANDAFURU RAIFU

Esta semana ouvi falar do filme japonês “Wandafuru Raifu” (Depois da Vida) dirigido em 1998 pelo diretor Kirokazu Kore-eda. Na história somos levados a um lugar depois da morte, uma espécie de parada, onde as pessoas são ajudadas por outras a se lembrarem de um momento de felicidade. Esse momento será filmado e a pessoa guardará para sempre somente essa lembrança na memória. Curiosa, resolvi assistir esse filme agora a noite. Gostei muito porque alem de contar uma história original, o roteiro é impecável e os atores ótimos. Mas o que me chamou mais a atenção foi a idéia do filme: você precisa escolher apenas um momento de felicidade e essa será sua única lembrança desta vida. Será que as pessoas têm realmente apenas um só momento de felicidade? Ou serão vários? Ou, quem sabe, não se recordarão de nenhum como algumas pessoas no filme? Confesso que passei a semana inteira pensando nisso até que no fim me decidi por um. E o seu? Qual será o seu momento pra lembrar pra sempre?

Meio Dia .

Meio dia. Um canto da praia sem ninguém. O sol no alto, fundo, enorme, aberto Tornou o céu de todo o deus deserto. A luz cai implacável como um castigo. Não há fantasmas nem almas, E o mar imenso solitário e antigo Parece bater palmas.
Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 11 de março de 2010

De tudo ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando, A certeza de que é preciso continuar, A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Portanto devemos: fazer da interrupção um caminho novo, da queda um passo novo de dança, do medo, uma escada, do sonho, uma ponte e da procura, um encontro. Fernando Sabino (in: Encontro Marcado).

PRA ACABAR COM AS TRISTEZAS ...

Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada. Cecília Meireles
UMA POESIA ALEGRE Não se perdeu no horizonte nunca secou essa fonte jamais perdeu a umidade. Por isso não conhece a secura o que mantém sempre madura a lembrança dessa saudade. Não lamento nada do que fiz por isso nunca fui um infeliz nenhum arrependimento me rói. Hoje falo com toda sinceridade não mergulho em felicidade mas o passado, em nada me dói. Sempre digo que a vida e bem mansa pois o que trago na lembrança e só recordação de alegria. Não recordo de nada muito triste isso prova por que não existe versos de tristeza, nessa poesia.
GIL DE OLIVE

quarta-feira, 10 de março de 2010

O MAR ...SEMPRE O MAR.

Mar Português Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa.
Magrite.
Retrato "Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles.

terça-feira, 9 de março de 2010

Muito bonito o DVD Palavra (En) Cantada sobre uma velha discussão: as letras de músicas são poesias e os compositores os novos poetas? Deixando de lado a discussão, um Chico Buarque de Holanda ou um Paulo Cesar Pinheiro, só pra citar dois, são letristas ou poetas? Pra mim tudo é poesia. Quem duvidar que jogue um pequeno verso que o repentista enfrenta o desafio! Viva esse Brasil mestiço, antropofágico que se nutre/deglute o outro e depois regurgita o nosso. Palavras escritas em português, bela língua; poeta e poetas... que inveja eu tenho de vocês! Inveja de Cecília, de Mário, de Carlos, de Manuel, de Fernando, de Paulo, de Florbela, de Sophia, de Clarice e tantas palavras que só vocês sabem dizer. HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM
Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca, Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca./
Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto, Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. / De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas, inesperadas Como a poesia ou o amor./
(O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído, No papel abandonado)/
Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte.
De Alexandre O'Neil( poeta português descendente de irlandeses)

segunda-feira, 8 de março de 2010

"EMBORA NINGUÉM POSSA VOLTAR ATRÁS E FAZER UM NOVO COMEÇO, QUALQUER UM PODE RECOMEÇAR E FAZER UM NOVO FIM."
 Porque estou escrevendo e pra quem? também é um fato de menor importância porque o que importa é escrever pra mim, pra eu mesma me ouvir e tentar me decifrar. Sou um enigma para mim mesma. . Sou uma pena que não sabe que é chumbo e pula no precipício pensando que vai voar, mas se esborracha no chão. Confio em quem não devo porque nem mesmo sei desconfiar. Mais um dia , aguentar apenas mais um dia e viver um dia por vez. Sem pensar no amanhã apenas no hoje. O que é para ser feito será . Estou envelhecendo mais do que devia .  O que eu queria era mesmo era não pensar. Deixar os pensamentos fugirem como se fosse um iogue. Mas isso eu não sei fazer e nem sei se ele sabe . Não fui criada para não pensar, fui criada para agir e ser forte.   É tudo temporário, passageiro. O mundo é um lugar insano. Quem será que pode dizer que é são? Somos todos doentes por dentro, doentes da alma, mesmo não sendo cristãos. Os deuses não existem. Nós os criamos porque precisávamos de um alento pra nossa existência fugaz. Criamos os deuses para que depois eles nos criassem. Porque sempre soubemos que não existe nada alem dessa vida, alem desse presente. E os dias, os minutos e as horas que estamos aqui são contadas em apenas frações de segundos no tempo sideral, espacial e o escambal. Cansei.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER !!!


Resolvi começar um novo Blog. É... já tive um , mas isso são águas passadas que não movem mais moinhos simplesmente porque eles não existem mais !? Mentira minha. Ainda tem alguns espalhados pelo mundo . Eu mesma conheci alguns na Holanda. Mas e as águas? ah! essas não voltam mais porque correm para frente e de nada adiantaria apostar corrida com o rio , porque ele vai ganhar. O 8 de Março : Dia Internacional da Mulher deviam ser todos os outros 364 e o de hoje devia ficar só pra festinha !

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Praia Grande , Big Beach. , SP, Brazil
Historiadora por profissão. Escritora por destino .Viajante no mundo por acaso. Fotógrafa amadora por paixão.